
Carta às candidaturas municipais
Este ano teremos eleições municipais, quando serão escolhidas novas pessoas às câmaras de vereadores e prefeituras, sendo uma oportunidade aberta para rediscutir os rumos da cidade. Acreditamos que a decisão do voto deve se pautar na história e perfil das pessoas candidatas, mas sobretudo em um programa atento às necessidades de nossa população, capaz de projetar a construção de um meio urbano que garanta o acesso a direitos fundamentais e à participação política coletiva na gestão das cidades e do espaço metropolitano.
Procurando contribuir neste importante momento de decisão, o Núcleo Curitiba do Observatório das Metrópoles, que realiza pesquisas sobre a Região Metropolitana de Curitiba há mais de duas décadas, produziu uma série de estudos sobre o atual cenário da Região Metropolitana, no sentido de promover uma reflexão sobre as políticas que vêm sendo adotadas. Os resultados desses estudos, transformados em artigos, somaram-se a propostas colhidas em fóruns temáticos e oficinas de trabalho, que envolveram pesquisadores e pessoas da comunidade, servindo de base para a elaboração desta carta. Em suas linhas se traz um diagnóstico sobre os maiores problemas da metrópole e proposições que podem pautar os programas de candidaturas comprometidas com a igualdade entre pessoas e municípios, capazes de garantir o direito à metrópole ao conjunto da população. Destacamos aqui as proposições mais genéricas, das quais derivam as propostas temáticas em cada eixo de análise:
– Enfrentar o contexto de ultraliberalismo que exacerba a exclusão social, a acumulação e concentração da renda, naturaliza a desigualdade social e impõe um modo de vida esvaziado de direitos.
– Assegurar o direito a uma cidade plural, com o reconhecimento da diversidade da população, da presença de uma ampla gama de ativismos, organizações e lutas localizadas, e a presença de padrões de solidariedade e das formas de coesão dos territórios específicos.
– Promover um planejamento territorial verdadeiramente justo, que atenda às especificidades da população, a fim de que se faça valer o direito à cidade para todos e todas, legitimando o uso e ocupação do solo urbano, dando acesso ao saneamento básico, ao mercado de trabalho, ao transporte, ao lazer, promovendo a infraestrutura urbana e satisfazendo uma ampla rede de serviços públicos.
– Compreender o espaço metropolitano enquanto uma unidade supramunicipal e construir a governança metropolitana democrática, plural e participativa, tendo como concepção a indissociabilidade entre governança e participação.
– Defender o direito à metrópole, com suas especificidades e abrangências, e dar visibilidade à emergência de um cidadão metropolitano, ainda não respaldado pela jurisdição tradicional.
– Garantir à população o direito à participação ativa e real não só na construção e acompanhamento, mas no monitoramento da política pública, no âmbito da ação cotidiana, nos modos de apropriação do espaço urbano, em busca da partilha do poder e da gestão democrática.
– Enfrentar e desnaturalizar a crise habitacional, que é uma crise urbana sem precedentes, uma crise social, política e ideológica, com raízes no passado colonial, dependente, patrimonialista e patriarcal brasileiro, responsável pelas desigualdades estruturais, e que, com o avanço do neoliberalismo, vem sendo aprofundada e progressivamente menos reconhecida, discutida e enfrentada.
– Pensar a política habitacional na dimensão metropolitana, pois em uma metrópole a vida das pessoas não está restrita a um município, mas na cidade única que se constitui na realização da vida da população e assumir a moradia como elemento integrador das demais questões de interesse comum em uma metrópole, o que significa tomá-la como o ponto de partida para se alcançar o direito à cidade e efetivar a cidadania.
– Rever as práticas de ocupação e reordenamento do território e de exploração da natureza, para conter os crescentes riscos resultantes da interação entre fenômenos climáticometeorológicos extremos e a urbanização e ocupação do solo desenfreada e em áreas de risco.
– Priorizar a vida em todas as perspectivas, pelo fomento e emergência de uma cultura de estímulo à reflexão e ao pensar crítico, que possibilite ações mais sustentáveis e resilientes frente aos desafios socioambientais.
Como pesquisadoras e pesquisadores, e também cidadãs e cidadãos, defendemos um planejamento urbano que conceba a cidade como um espaço plural, que acolha e potencialize a diversidade de sua população, mas que compreenda igualmente que os atuais arranjos espaciais da vida econômica e política requerem um esforço para construir mecanismos para o exercício da cidadania e para o acesso a direitos fundamentais em escala metropolitana. Orientadas/os por essa concepção, elencamos, na sequência, um conjunto de propostas organizadas em seis eixos temáticos, que podem ser acessados, para uma leitura mais detalhada, a partir de seu respectivo hiperlink.
Eixo 2. Governança e Participação Social clique aqui
Eixo 3. Segurança Pública, ilegalismos, Sociedade de Controle e Tecnocracias Digitais clique aqui
Eixo 4. Moradia e Política Urbana clique aqui
Eixo 5. Transporte Público e mobilidade clique aqui
Eixo 6. Transição Ecológica e Saneamento clique aqui
A íntegra dos conteúdos que deram fundamento à construção dessa síntese está disponível na publicação: “Observatório das Metrópoles nas eleições – Curitiba. Um outro futuro é possível”. Para acessar o conteúdo clique aqui
Convidamos organizações, movimentos sociais e todas as pessoas que se sentem representadas pelas demandas apresentadas na carta a assiná-la. Também convidamos candidatas e candidatos que se identificam com os princípios e propostas aqui expostas a se somarem às assinaturas, incorporando essas premissas em seus programas e ampliando essa construção coletiva. Esperamos, com essas notas e proposições, contribuir para um debate pré-eleitoral qualificado e para que as pessoas eleitas tenham mais elementos para construir seus planos de governo e suas pautas legislativas.
Assine a carta clicando aqui
Confira quem assinou (atualizações diárias):
CANDIDATURAS:
Goura Nataraj (PDT), Candidato a Vice-Prefeito
Rafael de Almeida Pereira (PSOL), Candidato a Vereador
Felipe Moreira Petri (PV), Candidato a Vereador
José JUVANCI Silva (PSOL), Candidato a Vereador
Roberta Cibin (PDT), Candidata a Vereadora
Vanda de Assis (PT), Candidata a Vereadora
Léo Ribas (PT), Candidata a Vereadora
Eloy Nhandewa (PSOL), Candidato a Vereador
Angela Alves Machado (PSOL), Candidata a Vereadora
Léo Ribas (PT), Candidato a Vereador
Eloy Nhandewa (PSOL), Candidato a Vereador
Angela Alves Machado (PSOL) Candidata a Vereadora
Felipe Gustavo Bombardelli (PCO), Candidato a Prefeito
SOCIEDADE CIVIL E INSTITUIÇÕES:
Izabela Scremin, UFPR
Rafael Dias de Lima, UFPR
Nayann Gabrielle Martins Mengarda
CEFURIA (Centro de Formação Urbano Rural Irmã Araújo)
TERRA DE DIREITOS
Nayann Gabrielle Martins Mengarda
Wilson Flavio Feltrim Roseghini, UFPR
Rodrigo José Firmino, PUCPR
Robert de Almeida Marques, BrCidades